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sábado, 5 de janeiro de 2013

Será que a guerra americana contra as drogas foi perdida?

Por Gary S. Becker e Kevin M. Murphy O ex-presidente americano Richard Nixon declarou "guerra às drogas" em 1971. A expectativa na época era de que o tráfico de drogas nos Estados Unidos poderia ser amplamente reduzido pela polícia num curto período - só que a guerra às drogas continua até hoje. O custo vem sendo grande em termos de vidas, dinheiro e do bem-estar de muitos americanos, principalmente os pobres e os de menor educação. Na maioria dos quesitos, os ganhos com a guerra foram no máximo modestos.

O custo monetário direto da guerra às drogas para os contribuintes americanos inclui gastos com a polícia, funcionários dos tribunais que julgam usuários e traficantes, e com guardas e outros recursos usados para encarcerar os condenados por crimes relacionados a drogas. O gasto total é estimado em mais de US$ 40 bilhões por ano.

Esses custos não incluem muitos dos efeitos nocivos da guerra às drogas que são difíceis de quantificar. Por exemplo, durante os últimos 40 anos, a fração de estudantes americanos que não completaram o ensino médio tem se mantido alta, perto de 25%. Os índices de desistência não são altos para os adolescentes de classe média, mas são muito altos para os negros e hispânicos dos bairros pobres. Muitos fatores explicam esses índices elevados, principalmente escolas ruins e falta de apoio da família. Mas outro fator importante nos bairros urbanos é a tentação de sair da escola para ganhar dinheiro vendendo drogas.

O número total de pessoas encarceradas nas prisões estaduais e federais dos EUA subiu de 330.000 em 1980 para perto de 1,6 milhão hoje. Muito deste crescimento é resultado direto da guerra às drogas e das penas severas aplicadas às pessoas condenadas pelo tráfico ou uso delas. Cerca de 50% dos presos em prisões federais e 20% daqueles em prisões estaduais foram condenados por vender ou usar drogas. Os muitos pequenos usuários e traficantes que passaram algum tempo presos têm menos chances de encontrar empregos formais depois de deixarem a prisão, e eles melhoram suas habilidades nas atividades criminais.

Os preços das drogas ilegais sobem toda vez que muitos traficantes são presos e recebem penas severas. Os preços mais altos que eles obtêm pelas drogas ajudam a compensar o risco de ser preso. Preços mais altos podem desencorajar a demanda por drogas, mas também permitem a alguns traficantes ganhar muito dinheiro se não forem apanhados, se operarem em larga escala e se puderem diminuir a concorrência de outros traficantes. Isso explica por que grandes quadrilhas e cartéis são tão lucrativos nos EUA, México, Colômbia, Brasil e outros países.

O paradoxo da guerra às drogas é que, quanto mais os governos intensificam o combate, mais os preços da droga sobem para compensar os riscos. Esse efeito gera lucros maiores para os traficantes que conseguem se manter em liberdade. Eis a razão pela qual as maiores quadrilhas de traficantes geralmente se beneficiam de uma guerra às drogas mais intensa, principalmente se a guerra se focar nos pequenos traficantes e não nos grandes. Além disso, considerando que uma guerra às drogas mais agressiva leva os traficantes a recorrer a mais violência e corrupção, intensificar o combate pode aumentar os custos impostos à sociedade.

Os altos lucros dos traficantes que permanecem em liberdade os incentivam a subornar e intimidar a polícia, os políticos, os militares e qualquer outro que se envolva na guerra às drogas. Se policiais e demais autoridades resistirem à propina e tentarem seguir com o combate, eles são ameaçados e geralmente começam a temer pela suas vidas e a de suas famílias.

O México proporcionou um exemplo bem documentado de alguns dos custos da guerra às drogas. Provavelmente mais de 50.000 pessoas morreram desde que começou a campanha do país contra as drogas em 2006. Em comparação, esse número seria de 150.000 se a mesma proporção de americanos fosse morta. Tal número é muito maior que o de americanos mortos nas guerras do Iraque e do Afeganistão juntas, e cerca de três vezes maior que o de americanos mortos na Guerra do Vietnã. Muitos dos mortos na guerra às drogas eram civis inocentes e militares, policiais e funcionários públicos locais envolvidos no combate ao tráfico.

Há também no México um considerável rancor em relação à guerra às drogas porque a grande maioria delas vai para os EUA. Os cartéis mexicanos e traficantes de vários outros países da América Latina seriam muito mais fracos se vendessem drogas apenas para consumidores domésticos (as quadrilhas do Brasil e do México, entretanto, também exportam bastante para a Europa).

O principal ganho que os defensores da guerra às drogas alegam para justificar a continuação dela é a diminuição do número de usuários e viciados. Os fundamentos econômicos indicam que, em determinadas circunstâncias, preços maiores de um bem fazem baixar a demanda por aquele bem. A magnitude desse efeito depende da disponibilidade de substitutos para o bem cujo preço subiu. Por exemplo, muitos usuários de drogas poderiam achar o álcool um bom substituto para drogas que ficaram mais caras.

A conclusão de que preços maiores reduzem a demanda somente "sob certas condições" é particularmente importante considerando-se os aumentos de preço causados pela guerra às drogas. Tornar ilegais a venda e o consumo de drogas não só aumenta os preços, mas gera também outros efeitos importantes. Por exemplo, embora alguns consumidores hesitem em comprar mercadorias ilegais, as drogas podem ser uma exceção porque o uso delas começa geralmente na adolescência ou na juventude. Uma tendência à rebeldia pode levá-los a usar e vender drogas justamente porque essas atividades são ilegais.

Ainda mais importante é que as drogas, como o crack e a heroína, são altamente viciantes. Muitas pessoas viciadas em cigarro e em beber conseguem se livrar dos seus vícios quando se casam, arrumam um bom emprego ou como resultado de outros eventos marcantes na vida delas. É comum também que elas sejam ajudadas por grupos como os Alcoólicos Anônimos, ou usem adesivos ou cigarros "falsos", que diminuem gradualmente o vício da nicotina.

Geralmente é mais difícil se livrar da dependência de coisas ilegais, como as drogas. Os viciados em drogas podem se sentir inseguros quanto a procurar ajuda em clínicas e grupos voluntários de "dependentes anônimos". Eles temem ser denunciados por uso de substâncias ilegais. Muitos usuários de drogas ilegais têm que alterar suas vidas para evitar ser descobertos e presos.

Um aspecto geralmente negligenciado na discussão dos efeitos da guerra às drogas é que a ilegalidade delas prejudica o desenvolvimento de meios de ajudar os dependentes, como adesivos para drogas semelhantes aos de nicotina. Assim, embora a guerra às drogas possa ter diminuído o uso delas ao encarecê-las, por outro lado também certamente aumentou a taxa de dependência. A ilegalidade das drogas dificulta que os dependentes busquem ajuda para se livrar do vício. Isso os leva a se associar mais a outros viciados e menos a pessoas que poderiam ajudá-los a se recuperar.

A maioria dos pais que apoiam a guerra às drogas estão mais preocupados com a possibilidade de seus filhos se tornarem viciados em drogas do que usuários ocasionais. Ainda assim, a guerra às drogas pode aumentar a taxa de dependência, e até mesmo o número de viciados.

Uma alternativa moderada à guerra às drogas é seguir o exemplo de Portugal e descriminalizar todo uso de droga, mantendo ao mesmo tempo a ilegalidade do tráfico. Descriminalizar as drogas significa que as pessoas não podem ser criminalmente punidas por portarem pequenas quantidades de drogas destinadas ao consumo próprio. A descriminalização facilitaria para os viciados procurar ajuda abertamente nas clínicas e grupos de ajuda mútua, e tornaria empresas mais inclinadas a desenvolver produtos e métodos para combater o vício.

Já existem evidências dos efeitos da descriminalização das drogas em Portugal, a qual começou em 2001. Um estudo publicado em 2010 na revista "British Journal of Criminology" concluiu que, desde a descriminalização, as prisões relacionadas a drogas no país diminuíram, o uso de drogas pelos jovens parece ter subido apenas um pouco (se é que subiu), as visitas às clínicas de ajuda a viciados aumentaram e o número de mortes ligadas às drogas caiu.

A descriminalização de todas as drogas nos EUA seria um grande passo no abandono da guerra às drogas. Nos últimos anos, Estados americanos começaram a descriminalizar a maconha, uma das drogas menos viciantes e menos prejudiciais. A maconha agora está descriminalizada de alguma forma em cerca de 20 Estados e descriminalizada "de facto" em alguns outros.

Embora a descriminalização do uso das drogas possa trazer muitos benefícios, ela por si só não diminuiria muitos dos custos da guerra às drogas, pois esta envolve ações contra traficantes. Esses custos não seriam grandemente reduzidos a menos que a venda das drogas também fosse descriminalizada. A descriminalização completa nos dois lados do mercado de drogas as tornaria mais baratas, reduziria o papel dos criminosos na produção e na venda delas, incentivaria mais estudantes americanos das classes pobres a concluir o ensino médio, diminuiria substancialmente os problemas com drogas do México e outros países fornecedores, reduziria grandemente a população carcerária nas prisões estaduais e federais e, finalmente, os efeitos nocivos de manter usuários e traficantes por anos trancados na prisão. Tudo isso economizaria dinheiro para os governos.

O barateamento das drogas resultantes da descriminalização poderia muito bem aumentar o consumo, mas também provocaria uma diminuição na taxa de dependência e talvez até mesmo no número de viciados, ao facilitar que estes se tratem. Impostos sobre a venda de drogas, semelhantes àqueles sobre cigarros e bebidas alcoólicas, poderiam ser usados para contrabalançar uma parte, talvez grande, do aumento no consumo causado por preços mais baixos.

Taxar a produção legal eliminaria a vantagem que criminosos violentos gozam no mercado atual. Da mesma forma que os gângsteres dos anos 30 foram em grande parte repelidos do mercado de bebidas dos EUA depois do fim da proibição ao álcool, as quadrilhas de traficantes poderiam ser empurradas para fora de um mercado de drogas descriminalizado. Já que os maiores custos da guerra às drogas são os dos crimes ligados ao tráfico, os custos para a sociedade seriam largamente reduzidos mesmo que o uso geral das drogas tivesse algum aumento.

A descriminalização tanto do uso como do mercado das drogas não será atingida facilmente, pois a oposição a ambas é poderosa. Os efeitos desastrosos da guerra americana às drogas, contudo, estão se tornando mais aparentes, não apenas nos EUA, mas também no exterior. O ex-presidente do México Felipe Calderón sugeriu as "soluções do mercado" como uma alternativa para o problema. Talvez os esforços combinados de líderes de diferentes países poderiam alcançar o ímpeto suficiente para finalmente encerrar o longo e altamente destrutivo experimento da guerra às drogas.

Becker é professor de economia e sociologia da Universidade de Chicago. Ele ganhou o Prêmio Nobel de economia em 1992. Murphy é professor de economia da Escola de Administração Booth da Universidade de Chicago. Ambos são acadêmicos do Instituto Hoover da Universidade de Stanford.

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