Algo entre 6% e 12% dos usuários, dependendo da pesquisa, desenvolve um uso compulsivo da maconha (menos que a metade das taxas para álcool e tabaco). A questão é: será que a maconha é a causa da dependência ou apenas uma válvula de escape.
"Dependência de maconha não é problema da substância, mas da pessoa", afirma o psiquiatra Dartiu Xavier, coordenador do Programa de Orientação e Atendimento
a Dependentes da Escola Paulista de Medicina. Segundo Dartiu, há um perfil claro do dependente de maconha: em geral, ele é jovem, quase sempre ansioso e eventualmente depressivo. Pessoas que não se encaixam nisso não desenvolvem o vício. "E as que se encaixam podem tanto ficar dependentes de maconha quanto de sexo, de jogo, de internet", diz.
Muitos especialistas apontam para o fato de que a maconha está ficando mais perigosa - na medida em que fica mais potente. Ao longo dos últimos 40 anos, foi feito um melhoramento genético, cruzando plantas com alto teor de THC. Surgiram variedades como o skunk. No último ano, foram apreendidos carregamentos de maconha alterada geneticamente no Leste europeu - a engenharia genética é usada para aumentar a potência, o que poderia aumentar o potencial de dependência.
Segundo o farmacólogo Leslie Iversen, autor do ótimo The Science of Marijuana (A ciência da maconha, sem tradução para o português) e consultor para esse tema da Câmara dos Lordes (o Senado inglês), esses temores são exagerados e o aumento da concentração de THC não foi tão grande assim.
Para além dessa discussão, o fato é que, para quem é dependente, maconha faz muito mal. Isso é especialmente verdade para crianças e adolescentes. "O sujeito com 15 anos não está com a personalidade formada. O uso exagerado de maconha pode ser muito danoso a ele", diz Dartiu. O maior risco para adolescentes que fumam maconha é a síndrome amotivacional, nome que se dá à completa perda de interesse que a droga causa em algumas pessoas. A síndrome amotivacional é muito mais freqüente em jovens e realmente atrapalha a vida - é quase certeza de bomba na escola e de crise na família.Para os 12% de usuários que desenvolveram a adicção pela maconha, as vezes pode ser bem dificil de larga-lá. Mas para tudo há uma saída. caso você se encontre nesta estátistica, e deseje profundamente largar a maconha, procure auxílio nos grupos do N.A.(narcóticos anônimos). Eles estão espalhados em todo o mundo, em todas as cidades e todos os bairros, as vezes logo embaixo do seu nariz. Lá você encontrará individuos com o mesmo problema que o seu, que lhe receberão sempre com carinho sem querer nada em troca, apenas que você divida sua luta com eles. Não existe preconceitos de religião, raça ou classes sociais. Lá você será apenas mais um companheiro, lutando um dia de cada vez.
O Diário da erva não faz apologia a maconha, nosso desejo é apenas informar a verdade, tão abafada por aqui. Não desejamos que vocês façam uso indevido de nada. Se você nunca experimentou a maconha, não experimente, pois a estatística está ai e você pode se enfiar numa roubada. Para quem já experimentou, ou usa frequentemente, o Diário vem como um veículo de redução de danos a sociedade e ao combate do preconceito cultural existente desde a época de nossos avôs, quando a planta foi proíbida.

























